quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CASOS DE FAMÍLIA

Clóvis Faustino da Silva

Aluno da Especialização em Filosofia e Psicanálise

1 - DEFINIÇÃO DO CASO

Era tarde do dia 13 de novembro de 1962, quando veio ao mundo uma criança do sexo masculino o 3º filho do casal.

A providências divina, espirituais, estimulando aos vivos, tão logo os pais com a criança de 6,5 meses de geração e que pesava 1,050 kg e cabia dentro de uma caixa de sapatos, ao chegar em casa, com ela embrulhada em uma toalha de rosto, foi providenciado algodão, e panos limpos e quentes, e a mãe diligente o aqueceu com água quente dentro de uma garrafa de cerveja, colocada ao lado do pequeno corpo, o mantinha vivo, e a noticia correu no pequeno vilarejo.

Durante todo o tempo essa criança era alimentada com leite materno, extraído com uma bomba e pingado no conta gotas na boca do pequeno, que cada dia passado vivo completava o ciclo que deveria estar no útero materno.

Passados 60 dias do episódio do nascimento do pequeno e frio José, já em janeiro de 1963 adquiriu temperatura própria, e começou ser alimentado diretamente na mama da mãe, tornando uma criança normal, e aos 8 meses de nascido pesava 8,0 kg, e era um bebê como qualquer outro para quem desconhecia a história, e para quem conhecia a história, era um milagre de Deus, ter essa criança escapado em lar tão humilde e com muita carência.

Nesse tempo os membros da família se orgulhavam e paparicava, e fazia o que podia e o que não podia para satisfazer a vontade da criança.

O pai exigia esforços de todos, de modo que José não podia chorar, a vontade dele era lei, tinha que ser cumprida.


2 - A SUPERPROTEÇÃO

A história do menino sem temperatura ultrapassou os limites do lugarejo, e chegou aos municípios visinhos, e até soubemos de outra criança nas mesmas condições em que os médicos também disseram que não havia como sobreviver devido a pré-maturidade do nascimento.

Mas José não aprendeu as mesmas lições ditadas pelos pais, para os demais filhos, ele foi tratado diferenciado, sem limites na vida, nunca teve hora para sair e muito menos para voltar, nunca respeitou os pais e os irmãos, isso devido a super-proteção dada pelos pais, em que todo desejo dele era cumprido, isto porque ele não pediu pra vir ao mundo, e quem o trouxe que se virasse para atende-lo.

Constituiu família, mas continua na dependência da família, a pesar de trabalhar, não tem controle das finanças e gasta tudo que ganha com qualquer coisa, e as dívidas batem diariamente na sua porta.

É agressivo com todos da família, e não mede as palavras e as respostas para qualquer questionamento, todos os seus erros são responsabilidades de outros, ele não erra, é perfeito.

Mas continua na dependência destes que despreza.

3 - VISÃO TEÓRICA (APRESENTAÇÃO DA TEORIA FREUDIANA)

A partir do texto apresentado, Freud vivenciando o fato, certamente iniciaria através de indagações e anamnésia, tentando entender o porquê do ocorrido, por que essa criança cresceu e tem esse comportamento com seus familiares, já que sempre o protegeram.

Certamente buscaria entender como se encontra o ego, o super ego o eu e o super eu desse indivíduo, de todas suas teorias, buscaria ajustar aquela ou aquelas que mais estivessem relacionadas ao caso em estudo.

Quando Freud tem em vista contribuir com a antropologia social, apresenta os seus ensaios relacionados à sociedade, buscando responder essas questões de cunho social sob a perspectiva da Psicanálise.

O homem narcisista que tende a ser auto-suficiente buscará suas satisfações principais em seus processos mentais internos; o homem de ação nunca abandonará o mundo externo, onde pode testar a sua força.

Qualquer escolha levada a um extremo, condena o indivíduo a ser exposto a perigos, que surgem caso uma técnica de viver, escolhida como exclusiva se mostra inadequada. Seu êxito jamais é certo, pois depende da convergência de muitos fatores, talvez mais do que qualquer outro, da capacidade da constituição psíquica em adaptar a sua função ao meio ambiente e então explorar esse ambiente em vista de obter êxito nas suas ações. O homem que, em anos posteriores, vê sua busca da felicidade resultar em nada, ainda pode encontrar consolo fugindo da realidade e dos resultados de sua própria ação, ou então se empenha na desesperada tentativa de reaprender o que é moral e respeito por si mesmo, agindo com honestidade e rebelando contra seus hábitos desprezível de desonestidade, baseado na mentira e enganando as pessoas de boa fé.

4 -INDAGAÇÕES

Por que na atualidade com a evolução do mundo moderno, com tantas possibilidades de trabalho, de escolhas diversas que melhor se ajusta a cada perfil de um ser humano, escolhe-se o indivíduo que em primeiro momento parece bom, enquanto age na busca do que quer, apresenta um comportamento dócil, e no momento que é contrariado e sua vontade não é satisfeita manifesta com agressividade contra as pessoa que o ama, será que isso o satisfaz, o faz feliz ?

Talvez isso seja em razões do tratamento protecionista recebido na infância, na sua juventude, na escola em que estudou, nos ensinamentos da religião, no convívio na sociedade e em seus mais diversos relacionamentos.

Fica claro que muito do que acontece, está relacionado a uma grande proteção familiar, que com objetivo de fazer um grande homem, o tornou inscensivo.

O conhecimento da Filosofia e a Psicanálise, possibilitando professores e profissionais da saúde adentrar nesse misterioso campo da pesquisa e do saber, estará contribuindo para que a sociedade tenha mais perto de si alguém que possa pesquisar e entender os mais diversos tipos de comportamento, e aplicar métodos que permitam resgatar e reintegrar à sociedade familiar indivíduos com problemas diversos de relacionamento.

5 - EM SUA CONCLUSÃO EM MAL ESTAR NA CIVILIZAÇÃO DIZ:

A questão fatídica para a espécie humana parece-me ser saber se, e até que ponto, seu desenvolvimento cultural conseguirá dominar a perturbação de sua vida comunal causada pelo instinto humano de agressão e autodestruição. Talvez, precisamente com relação a isso, a época atual mereça um interesse especial. Os homens adquiriram sobre as forças da natureza tal controle, que, com sua ajuda, não teriam dificuldades em se exterminarem uns aos outros, até o último homem. Sabem disso, e é daí que provém grande parte de sua atual inquietação, de sua infelicidade e de sua ansiedade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1.FREUD, Sigmund. Mal-estar na civilização, Frankfurt: Fischer, 1999.

2. FREUD, Sigmund. Totem e tabú, Frankfurt, Fischer, 1999.

3. FREUD, Sigmund. A psicologia das massas e a análise do eu, Frankfurt, Fischer,1999.

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