quinta-feira, 14 de outubro de 2010

UFES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPIRITO SANTO
SUELI SOARES DOS SANTOS DE JESUS
O mito do pai primitivo e a sociedade moderna

Sumário:
1-Introdução:- ----------------------------------------------------------1
2-DESENVOLVIMENTO
2.1-Abordagem histórica do caso em estudo------------------------------2
3- o mito do pai primitivo ------------------------------------------------2
4-Conclusão----------------------------------------------------------- --5

1-INTRODUÇÃO
O empenho em desenvolver este trabalho, surgiu da necessidade de entender o texto estudado sobre Freud, Totem e Tabu e fazer uma analise de um caso baseado neste texto de Freud. Afinal teoria freudiana analisa a mente inconsciente do ser humano e a sociedade no qual ele esta inserido.
2-DESENVOLVIMENTO
2.1-Abordagem histórica do caso em estudo
No interior do município de Ecoporanga há muito anos atrás aconteceu um fato, assustador e polêmico; conta-se que uma família vivia no interior do município, isolada da sociedade; ela era formada por oito filhas, a mãe e o pai, eles não se relacionava com a sociedade, as filhas não estudava, não conversava com ninguém e o mais cruel quando a esposa engravidava de meninos o pai os matava e enterrava no quintal de sua casa, com o passar do tempo a mãe faleceu, e o pai ficou cuidando das filhas sozinhas, alguns vizinhos contaram que ouvia choro de bebes, mas eles não viam a criança, os vizinhos também começaram a perceber que algumas filhas deste homem havia desaparecido.com o passar do tempo o pai faleceu ,e as filhas que sobreviveram , começaram a passar muitas dificuldades, pois não tinha o que comer, pois era o pai que resolvia tudo. Então uma delas começou a socializar com alguns vizinhos e pedir alimentos, uma vizinha descobriu que o pai mantinha relações sexuais com todas as filhas, e quando elas o engravidavam matava os bebês para que ninguém descobrisse, e algumas filhas dele morreram no parto, pois era ele mesmo que fazia o parto. Restaram apenas duas irmãs que são vivas até hoje, e mora neste Distrito de Ecoporanga, uma se casou e tem uma filha, a outra não se socializou, e tem medo até de conversar com as pessoas, a irmã que se libertou deste episódio fez um cômodo no quintal de sua casa para a outra irmã, onde ela mora até hoje.
3- o mito do pai primitivo
De acordo com a linha de raciocínio de Freud no texto Totem e tabu a imagem do pai primevo era de um pai poderoso, violento que detinha o poder do grupo e condena seus filhos a submissão, ou seja, não praticar qualquer forma de prazer sexual. Os filhos se revoltam e resolvem lutar contra o pai, pois os filhos queriam disputar as fêmeas e seu lugar (poder) no grupo. Nota-se no texto que os filhos odiavam o pai, mas ao mesmo tempo o admiravam, então eles recusavam a obedecê-lo e o mataram, com o propósito de assumir o poder que neste caso não era o poder de bens materiais e sim o poder de compartilhar as mulheres. A culpa por este ato tão violento e o medo que esta guerra continuasse, os filhos criaram comunidades de irmãos com direitos iguais na posse de fêmeas. Mas para que isso realmente acontecesse deveriam fazer um ritual onde os filhos devoram o corpo do pai, e incorpora a alma do pai e se igualam a ele e criam uma sociedade mantendo o mito do pai poderoso.
No caso citado para analise observa - se que o tabu do pai primitivo ainda habita até hoje na sociedade, podemos observa isso no caso quando o pai exerce uma posição de poder sobre as filhas, cria seu próprio tabu, e estabelece normas para as elas, ele mantém um relacionamento sexual com todas, e ele sente prazer e satisfação com esta situação. Ela não podia comunicar com ninguém, isso a gente percebe no texto que também nas sociedades do clã as mulheres também eram proibidas até mesmo de se comunicarem com os irmãos, pois eram punidas. E levando esse fato para nossa realidade até hoje essas filhas carregam esse tabu com elas. Pois elas têm medo até hoje de contar para alguém o que aconteceu com elas no passado e serem castigadas pelo pai.
Nota-se que o sexo desde a era primitiva, era visto como um tabu. Percebe-se que o sexo mesmo sendo um ato normal e natural entre os indivíduos, ele ainda é um visto como um mistério, um segredo, e muitas pessoas ainda têm muitas dificuldades, vergonha em falar sobre esse assunto, principalmente quando a pessoa é abusada sexualmente, ela fica reprimida, não sabe como agir diante desta situação, muda o seu comportamento, não consegue levantar a sua auto-estima, não consegue socializar. Na citação de Wertheimer, Michael, 1927, p.178 sobre Freud, ele cita como esses impactos psicológicos acontece na mente do individuo e como ele desenvolve esses comportamentos.

Freud ensinava que todo ato do pensamento é motivado, e a força motora fundamental do homem é a libido, um impulso sexual violento e egoísta e agressivo que constitui o id da personalidade. Todos possuem dentro de si uma força sexual criadora (Eros) e um impulso destruidor e agressivo para a morte (thanatos). Precocemente a crianças descobre que ter um impulso não leva necessariamente á sua satisfação; é preciso de algum modo chegar a um compromisso com o mundo e manipulá-lo de modo a satisfazer os próprios desejos. Isso leva ao crescimento do ego que funciona como intermediário entre o principio do prazer do id e o principio da realidade que domina as interações com o ambiente. Os pais esforçam - se por conseguir executar a tarefa quase impossível de socializar o id, procurando domar o seu egoísmo que é constituído pelos impulsos inatos da criança; isso acarreta a formação de um superego, uma espécie de consciência que faz com que a pessoa se sinta culpada toda vez que um impulso do id consegue expressar-se. O ego é incumbido da difícil tarefa de procurar manter a paz entre o id, que diz eu quero, e o superego, que diz eu não deve, bem como servir de mediador entre eles ambos e o mundo exterior, implacavelmente realista. Ao procurar fazê-lo, o ego faz com que o id permaneça inteiramente inconsciente, o superego quase inteiramente, e o próprio ego é consciente apenas em parte. O ego é obrigado a empregar técnicas complexas e engenhosas para evitar que os impulsos inaceitáveis subam á consciência usando mecanismos de defesas tais como repressão, a sublimação e outras formas de distorção e de auto ilusão. (Wertheimer, Michael, 1927, p.178).

Através desta citação de Wertheimer, podemos observar que o ego, id e o superego são os responsáveis pelos conflitos internos que ocorrem dentro da nossa mente. E a psicanálise tem como objetivo investigar os determinantes inconscientes, e irracionais do comportamento encontrados em experiências da infância.
Se trouxermos este fato para a nossa realidade podemos perceber que muitas pessoas ainda têm dificuldade em falar sobre sexo, e quando acontece um caso como este, os abusadores induzi a vitima a ficar calada, e ela carrega esta culpa para o resto da vida, e não consegue libertar o seu inconsciente. Ou seja, a mente da pessoa é dominada por estes pensamentos desagradáveis referentes a essa violência sexual, onde se torna difícil de liberta a mente destes pensamentos.
Podemos afirma isso quando “Freud demonstra que os atos obsessivos são movidos por um sentimento de culpa cuja origem é desconhecida para aquele que os pratica, denominando-o de sentimento de culpa inconsciente” (Freud, 1976a, p.127).
Nota-se que na sociedade a maioria das pessoas possui algum conhecimento sobre o sexo, mas falar sobre ele, e orientar as pessoas sobre este caso ainda é difícil. Ou seja, muitas pessoas ainda acreditam no tabu e a nossa sociedade hoje ainda carrega a herança do pai primitivo, quantas pessoas já sofreram este tipo de violência, e não conseguiram superar este trauma. Será que é possível superá-lo? Diante do caso exposto no inicio do trabalho podemos observar que uma das irmãs conseguiu superar o trauma. E porque a outra ainda não conseguiu se libertar deste sofrimento? Podemos encontrar essa resposta na citação de Freud onde ele cita que:
O ego tem a tarefa de autopreservação, com referência aos acontecimentos externos, desempenha essa missão dando-se conta dos estímulos, armazenando experiências sobre eles (na memória), evitando estímulos excessivamente intensos (mediante a fuga), lidando com os estímulos moderados (através da adaptação) e, finalmente, aprendendo a produzir modificações convenientes no mundo externo, em seu próprio beneficio (através da atividade), com referência aos acontecimentos internos, em relação ao id, ele desempenha essa missão obtendo controle sobre as exigências dos instintos. Decidindo se elas devem ou não ser satisfeitas. Adiando essa satisfação para ocasiões e circunstâncias favoráveis no mundo externo ou suprimindo inteiramente as suas excitações. (Freud 1975, p.170)
Segundo Freud o ego é a parte da mente, mais ou menos consciente, que lida com a realidade, e a psicologia pesquisa e analisa esse do comportamento do ser humano, e Freud, no texto Totem e Tabu faz essa análise através de pesquisas antropológicas das sociedades primitivas, observa o comportamento dos povos primitivos e procura entender os comportamentos desses indivíduos na sociedade moderna. E se quisermos compreender a vida social nós temos que observar como ela desenvolve os modos de comportamentos.
Freud também se refere o Tabu, como algo proibido, e sagrado que se alguém violar acarretará a impurezas, ou seja, será punido. E o totemismo é uma das manifestações religiosas na época primitiva, ele se baseia na crença da existência de uma relação próxima, como um parentesco, entre um grupo de pessoas, denominado de clã, e objetos sagrados como animais e plantas, chamados totens.
Como o tabu do pai primitivo é visto hoje nas sociedades? A imagem do pai primitivo ainda habita em muitas sociedades, podemos observar que o sexo é motivo de cobiça de muitos e ainda é visto como tabu. A pessoa ainda tem dificuldades em falar sobre sexo, e muitos acreditam que o sexo é um segredo, e não deve ser exposto na sociedade abertamente.
No texto de totem e tabu Freud também explica as proibições do incesto, onde os irmãos eram obrigados a renunciarem as mulheres que eles desejavam ou que tinham sido um dos motivos para matar o pai. Freud ressalta ainda que se conhecermos o desenvolvimento da sexualidade, do individuo poderemos entender as formas de comportamento, dele na sociedade.
4-CONCLUSÃO

A psicanálise sustenta que o conhecimento da verdade a respeito de si mesmo libertará o paciente; na medida em que ele se torne conhecedor das forças de seu inconsciente, o paciente deixa de ser seu prisioneiro inconsciente, e pode levar uma vida racional satisfatória e produtiva (Michael wertheimer 1927, p.180).
Conclui-se neste trabalho que de que o texto de totem e tabu é mito criado por Freud e é através destes tabus que as sociedades criam suas normas, costumes, tradições e a sua lei.

Referências bibliográficas:
Textos do módulo postado na plataforma moodle do curso de filosofia e psicanálise, escrito por Vladimir Saflater; e também o texto de Freud,Sigmund , totem e tabu ;
Algumas citações dos livro pequena história da psicologia de Wertheimer, Michael, 1927, p.178.
Ensaios em filosofia e psicanálise de Claudia Murta, citação sobre Freud 1975, p.170;
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UFES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO - UFES
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA - FREUD: COMO TEÓRICO DA MODERNIDADE BLOQUEADA.
A INFLUÊNCIA DA FAMÍLIA NO DESEMPENHO EDUCACIONAL DO DISCENTE
Tiago Rodrigues de Souza¹
Aluno do curso de Pós-Graduação em Filosofia e Psicanálise-UFES.
Graduado em Gestão de Recursos Humanos - Faculdade de Tecnologia São Francisco.
Profesor de História para as séries finais do ensino fundamental.
1. INTRODUÇÃO
O presente artigo pretende revelar ao leitor a pesquisa realizada de forma sintética pelo professor de História, Tiago Rodrigues de Souza, em seu local de trabalho (escola). E discente do curso de Pós-Graduação em Filosofia e Psicanálise - UFES, sobre o tema: "A Influência da Família no Desempenho Educacional do Discente.
O mesmo procura relatar de forma singela, comentários dos discentes sobre as indagações do docente em sala de aula, a respeito do baixo desempenho dos alunos obtidos através de avaliação escrita. E, a partir dos comentários dos alunos o professor iniciou informalmente uma busca das possíveis verdades contidas na fala de seus alunos. O resultado foi surpreendente e desanimador, conforme descrições que seguirão a seguir no presente documento.
A metodologia utilizada para a elaboraçõ da presente pesquisa foi realizada através de dialogos de forma informal, entre professor X alunos. Foi feita também através da observação do docente sobre as atitudes, ou seja, forma de comportamento dos discentes dentro da sala de aula, no corredor da escola, laboratório de informática, participação em eventos promovidos pela escola, biblioteca e no pátio da entidade educacional (recreio/intervalo).
Dessa forma, espera-se que os relatos sobre o tema acima enlecado, venha ao encontro das necessidades enfocadas pelos professores que atuam em escolas da rede pública estadual e que passam por problemas similares ao aqui apresentado.
2. DESENVOLVIMENTO - ESTUDO DE CASO
Atuando como docente em designação temporária em escola da rede pública estadual, na disciplina de história. Tenho me deparado com alunos com indíce de desempenho regular e em alguns dos casos até insuficientes.
Através da obsevação em sala de aula, pode-se constatar que a causa do baixo desempenho dos aprendizes nas avaliações propostas pelo professor no âmbito escolar, estão ligadas as experiências de vida experimentadas pelo discente fora do ambiente escolar. O que faz com que o aprendiz expresse um comportamento que diverge do comportamento esperado pelo docente em sala de aula, ou indivíduo enquanto peça integrante de uma sociedade composta por padrões e valores previamente convencionados/estipulados, tais como: desleixo com o corpo e material de estudo; descompromisso com as tarefas; desinteresse pelo aprendizado; preguiça; fúria; falta de compreensão com o próximo...
Através de conversa informal (professor X alunos), o docente pôde compreender de uma forma mais saliente as causas de tais problemas e dessa forma, poder auxiliar os discentes no processo de aprendizagem.
A descoberta do docente sobre os bloqueios que estavam dificultando o processo de aprendizagem nos aprendizes foi impactante. Abaixo encontra-se um breve relato sobre os comentários feito pelos alunos sobre a pergunta do professor: "como foi o final de semana de vocês?" Dentre outras mais (diversos dialogos).
Alunos da 2ª série final do E.F. - Professor foi muito bom, o senhor nem imagina. No final de semana passado teve um show aqui na cidade com o cantor Amado Batista, boate, cavalgada. Foi a maior festa. Eu e meus colegas chegamos em casa às 04:00 horas da manhã. Gastamos R$ 150,00 na festa tudo em bebida. Tiramos a maior onda. Andavámos de um lado para o outro com um litro de conhaque debaixo do braço.
Aluna da 2ª série final do E.F. - BLOQUEIO: Apresentação de rebeldia na sala de aula, desinteresse, grita com o professor (responde mal) sê chamada a sua atenção. Desinteresse pela execuação das atividades de estudo propostas em sala de aula.
INCITADORES / ESTIMULADOR DO BLOQUEIO: A matriarca da aprendiz havia rompido o relacionamento conjugal com o patriarca da educanda e se amasiada com uma parceira do sexo femino (lésbica); O pai da discente havia saido da residência familiar e firmado um segundo relacionamento amoroso com outra esposa; A aluna não gosta da amante do pai e da mãe; A discente têm uma irmã menor que também estuda na mesma escola (primário) e que a mesma se preocupa com a irmã menor.
...
Segundo o mindicionário da língua portuguesa, Silveira Bueno, editora Lisa, ed. 2008, página 288. A palavra FAMÍLIA, significa: s.f. Conjunto de pai, mãe e filhos, pessoas do mesmo sangue, descendência, linhagem, (Hist. Nat.) agrupamento de gêneros ou tribos vegetais ou animais, ligados por caracteres comuns, cujos nomes nos vegetais se escrevem com a terminação àceas e são femininos, e nos animais com a terminação idas e são masculinos; (Gram). Conjunto de vocábulos que têm a mesma raiz.
Para, MINUCHIM, 1990. A família é compreendida como um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema, que opera através de padrões transacionais. Assim, no interior da família, os indivíduos podem constituir subsistemas, podendo estes ser formados pela geração, sexo, interesse e/ou função, havendo diferentes níveis de poder, e onde os comportamentos de um membro afetam e influênciam os outros membros. A família como unidade social, enfrenta uma série de tarefas de desenvolvimento, diferindo a nível dos parâmetros culturais, mas possuindo as mesmas raizes universais.
É importante aqui relembrar-se da definição da palavra família, devido ao fato de ser esta a principal entidade social que ofertará os valores, regras, educação e ética ao novo integrante do grupo familiar (recém-nascido) e componente da grande massa popular (sociedade).
Nota-se que, em um ambiente familiar desestruturado, os filhos tendem a comportar-se socialmente de forma contrária a aquela conduta que os demais indivíduos que não vivenciam aquela situação conflituosa em seu núcleo familiar apresentam.
A psicologia social propõe que, desde a descoberta do inconsciente freudiano, as transformações sociais na constituição da subjetividade têm levado a psicanálise a refletir sobre o seu lugar na cultura. Diz que os textos freudianos sobre a sociedade e a cultura possibilitaram aos psicanalistas instrumentos efetivos de análise social e política, em suas dimensões individuais e coletivas, que os analistas, marcados pelo ensino de Lacan, exploram as relações do sujeito com o poder, a alienação, o desamparo e a crueldade presentes em diversos fenômenos sociais.
Assim, a família deverá ser encarada como um todo que integra contextos mais vastos como a comunidade em que se insere. De encontro a esta afirmação, JANOSIK e GREEN, referem que a família é um "sistema de membros interdependentes que possuem dois atributos: comunidade dentro da família e interação com outros membros". (STANHOPE, 1999, P. 492).
Portanto, constata-se que a família ocupa um papel primordial, fundamental e de especial relevância na vida educacional e social do indivíduo (filhos).
No âmbito escolar espera-se que o docente consiga transmitir e lecionar aos seus alunos um novo conhecimento que até então os aprendizes não haviam adquirido/refletido. E, que os discentes consigam através de questionamentos, exposição de idéias, reflexões, dúvidas, audição. Aprender o novo conhecimento que está sendo estudado em sala de aula. Espera-se que os mesmos mostrem-se como parte interessada no processo de aprendizagem, realizem as atividades, absolvam o conhecimento, consigam alcançar boas notas, participem dos projetos escolares, enfim, que os mesmos sejam parte integrantes do processo de ensino aprendizagem. Não somente como aqueles que escutam algo que até então não sabiam, mais, como aquela peça fundamental, essêncial, de contribuição e partilha de informações no processo de aquisição e transmissão do conhecimento.
Logo, no estudo de caso (pesquisa) acima enfatizado, percebe-se que os discentes apresentam um comportamento patológico, face ao entendimento sobre o comportamento normal esperado pelos educadores.
Eis que surge a seguinte indagação: O que o professor dever fazer para conseguir alcançar um indíce de desempenho escolar satisfatório, ou seja, conseguir fazer os alunos interessarem-se pelo estudo proposto em sala de aula? Se tornarem motivados a estudar? E, conseguirem aprender o conteúdo proposto pelo professor, em meio a tantos bloqueios externos ao ambiente escolar e que determina de forma significativa o aprendizado do educando?
Dessa forma, constata-se que na escola tomada como objeto de estudo na presente pesquisa e também nas demais entidades de ensino educacional em que os docentes e discentes apresentam comportamento similar ao bloqueio tomado no presente artigo como objeto de estudo. É sugestionado que seja trabalhado na escola projetos que visem a motivação pessoal, relcionamento intrapessoal X interpessoal e de orientação sexual e de ética. Com o propósito de levar informações precisas e necessárias para os discentes que as desconhecem ou que as ignorem, pois deste jeito, poderá os docentes conseguir alcançar resultados satisfatórios em sala de aula, no que diz respeito a motivação do aluno pelo estudo proposto pelo professor; atenção concentrada; maior participação do aprendiz em ambiente educacional; postura ativa e quem sabe recuperação e/ou livramento de alguma situação embaraçosa ou conflituosa experimentada pelo aprendiz fora das paredes do ambiente escolar e que faz com que o mesmo apresente algumas "patologias" na sala de aula.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que em um núcleo familiar bem estruturado, aonde haja o dialogo como principal mecanismo de entendimento, colaboração, orientação. faz com que os seus integrantes estejam mais aptos a se relacionarem socialmente de forma mais harmoniosa para com o semelhante e também para consigo mesmo.
Portanto, ao se falar em educação é praticamente impossível não se pronunciar a importância da família no processo histórico (do indivíduo), educacional, social e cultural do mesmo.
Com relação ao estudo de caso real, realizado no ambiente profissional do autor, constatou-se que, os fatores sociais externos vivenciados pelo aprendiz fora do ambiente escolar influência de forma direta no rendimento escolar do educando. E que tais influências, fatores externos à escola, além de prejudicar o aprendizado do discente, também gera transtornos psicológicos no aprendiz, tais como: trsiteza; angustia; depressão; fúria; insegurança; perda da atenção concentrada; desmotivação pelo estudo; preguiça; desânimo, dentre tantos outros aspectos de ordem psicológica que bloqueia o aprendizado (saber) do aprendiz e impede o mesmo de ter um bom rendimento, no que diz respeito, a aquisição do conhecimento lecionado na escola e um indíce de desempenho satisfatório, ou seja, conseguir tirar boas notas.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Freu, Sigmund; totem e tabu, Frankfurt, Fischer, (1999);
A Pscologia da Massas e Análise do Eu, Frankfurt, Fischer, (1999);
Texto do módulo do curso de Filosofia e Psicanálise, Freud: como teórico da modernidade bloqueada, Vladimir Safatle, 2010.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

ANTONIO VENTURINE

MEU NOME É ANTONIO VENTURINE FAÇO PARTE DO BLOG DO GRUPO 2FASCT,FILOSOFIA E PSICANÁLISE,DO POLO DE ECOPORANGA -ES.MORO EM BARRA DE SÃO FRANCISCO -ES,É UM GRANDE PREVILÉGIO ESTAR CURSANDO ESTE CURSO DE FILOSOFIA E PSICANÁLISE NESTA MODALIDADE EAD.PODEMOS OBSERVAR QUE CADA ENCONTRO CONSTRUIMOS UM DEGRAU NA NOSSA APRENDIZAGEM.A CADA PESQUISA,E TEXTO LIDO ,ADQUIRIMOS UMA BAGAGEM DE CONHECIMENTO.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Resumo

A pesquisa realizada apresenta as metodologias socráticas, sofistas, instrutoras e emancipadora com relação ao ensino EAD.

A metodologia de Sócrates era realizada em pequenos grupos e através do dialogo onde o mestre estimula aprendizagem e o aluno busca o saber. De acordo com Sócrates todos possuem o saber, mas estão distanciados dele e só precisa de alguém para reaproximar o saber.

A metodologia sofista apresenta um mestre como dono do saber e só ele detém o conhecimento.

Lacan ignora o mestre e defende em sua teoria que podemos aprender sem o mestre e que o conhecimento só depende do esforço de cada um de nós para aprender.

Jacotot acredita que cada pessoa é capaz de construir seu próprio conhecimento através da emancipação.

Observamos durante a pesquisa que todas essas metodologias têm a ver com a EAD ao apresentar o mesmo objetivo que é o de transmitir o conhecimento, mas a que mais se aproxima da metodologia EAD é a Socrática, onde o tutor está presente para estimular, orientar e organizar nossos estudos, pois cada um é capaz de aprender por si próprio.

Teoria Lacaniana e a EAD

Acompanhamos como Sócrates vai a busca do saber verdadeiro. Como ele aborda a relação entre o saber e verdade procurando sair da função dominadora do mestre. Na interpretação do psicanalista Jacques Lacan diz que ainda é possível perceber as intervenções do mestre. Sócrates confia na solução dos problemas do homem através do conhecimento racional. Lacan, por outro lado, tem outro pressuposto, de origem inconsciente. Lacan utiliza o imaginário e o simbólico, apreendendo-o em partes, através da linguagem que se estrutura no inconsciente. Assim, Sócrates e Lacan, com suas descobertas, auxiliaram os homens na busca do saber e da verdade.

O psicanalista Jacques Lacan produz o seu saber sobre o tema e apresenta uma crítica a Sócrates. Falando da reminiscência com a relação a ela dita, diz que é o despertar no sujeito que explica a passagem da ignorância ao conhecimento. O comentário de Lacan sobre o episódio do escravo refere-se ao engano que este comete, quando tenta achar a verdade sobre a duplicação da superfície de um quadrado.
Para Lacan, a partir do momento em que se parte do mundo simbólico emerge, cria o seu próprio passado, mas não no mesmo nível intuitivo.

Lacan coloca a origem de toda a realidade do pensamento no inconsciente, que vai se manifestar, num certo momento, junto às formas de proceder do sujeito. Lacan, retornando a Freud, restaura a barra divisória entre o saber e a verdade. Ele atribui à verdade o estatuto de um acontecimento atrelado ao campo da linguagem e anuncia que a verdade é contrária à astúcia da razão. Devemos entender o motivo que leva Jacques Lacan a considerar Sócrates um mestre que oferece elementos de raciocínio ao escravo, que não teria condições de chegar, sozinho, ao desenvolvimento esperado.

Na escola Lacaniana, o cartel constituído de pequeno grupo de pesquisa é fundamental no desejo de cada um dos participantes. Em meio aos movimentos de 1964, Jacques Lacan escreve o Ato de fundação de sua Escola de Psicanálise, expondo os seus princípios. Lacan deixa claro que o princípio adotado para a execução do trabalho da Escola é o de “uma elaboração sustentada num pequeno grupo”, dando, em seguida, as coordenadas deste pequeno grupo, o cartel.

O Cartel, sendo o dispositivo próprio para o trabalho de base da Escola, tem como objetivo principal manter viva a causa analítica através da execução de um trabalho que deve ter o seu produto, um “produto próprio de cada um”.

Seguindo o modelo lacaniano, o trabalho será executado em pequenos grupos, cada um deles composto de 3 pessoas, pelo menos, cinco ao máximo, e sendo quatro a medida certa, Mais UMA. O cartel consiste num pequeno grupo de pessoas que se reúne em torno de um tema e apresenta características próprias, entre elas a maneira de organização circular de trabalho. Neste sentido contraria a tradição escolar, na qual prevalece, como aponta Jacques-Alain Miller, que se apóia na identificação imaginária do líder. Dessa forma, haveria nesse tipo de curso, uma hierarquia em que o serviço prestado seria capitalizado para o acesso a um grau superior.

O produto do Cartel é fruto de um trabalho que tem responsabilidade de suportar e restaurar “a lâmina cortante da verdade do campo aberto por Freud”, sustentado pela transferência de trabalho.

O orientador é mais um entre os aprendizes. Essa é uma posição que todo professor deveria buscar, principalmente o tutor, em Educação Aberta e a Distância, para não perder o seu próprio lugar, nem sua referência. A produção do trabalho de orientação acadêmica é a produção de cada um dos aprendizes. A essência do processo de aprendizagem em EAD se dá por meio de rede de aprendizagem. No momento em que o professor está produzindo o material ele está sendo o orientador. A produção em EAD não tem dono, não é de ninguém, pertence a todo o conjunto.

Discorrendo sobre o modelo Socrático e a EAD

Adentrando no assunto a discorrer, encontram-se muitas vertentes apresentadas nos textos. Esperamos que possamos apontar pelo menos um pouco do que defende o grande Mestre Sócrates. A reflexão inicial se fundamenta no legado que se encontra no diálogo de Menos de Platão. A partir do diálogo, pode-se trabalhar a questão relativa ao que se pode ensinar e aprender, observando o paradoxo segundo o qual é impossível ensinar algo que o outro já não saiba. Com base nesse paradoxo, podemos perguntar sobre os princípios do processo de aprendizagem. .
Esse contexto pode apresentar elementos para a abordagem da metodologia do EAD, na medida em que a metodologia apresenta uma proposta educativa que se afasta daquela contemplada no ensino tradicional.
Através do diálogo não com grandes assembléias, porque nos grupos, em geral um de cada vez. No momento em que o interlocutor assinalava o conhecimento, o diálogo terminava. Esse método, denominado Maiêutica, era dividido em três momentos. Partia de uma negativa, utilizava da ironia, questionando o conhecimento do interlocutor, para produzir um novo saber.
Alunos como somos, entendemos que a metodologia EAD se aproxima da postura de Sócrates, temos que estar dispostos a aprender.
Sócrates conseguiu oferecer à problemática da essência humana um significado novo. A alma, para Sócrates, coincide com a nossa consciência pensante e operante, nossa razão e com a sede da atividade pensante e eticamente operante.
Sócrates se preocupa com o homem virtuoso e com necessidade de conhecimento, e a relação com a natureza dá-se na dimensão do que é útil. Sócrates, ao se posicionar frente ao seu interlocutor, transforma o discurso sofístico de caráter monológico e inicia a possibilidade do diálogo. Não se considera o dono do saber, dialoga com o seu interlocutor, não ensina, suscita dúvidas, sem oferecer respostas prontas.
A segunda parte do método é marcada pela ironia. Essa dissimulação leva o interlocutor a uma contradição, despertando-o para outra realidade do conhecimento, até então insuspeito. Esta é a máscara com a qual Sócrates se fingia ignorante. Sócrates leva o interlocutor a reconhecer sua própria ignorância e, a partir daí, tendo forçado o interlocutor a produzir o saber, o questiona a ponto de atordoá-lo.
O diálogo de Menon é exemplar na demonstração do método socrático. Sócrates expõe seu pensamento sobre a unidade essencial de todas as virtudes. Analisa e critica sucessivamente. Afirma que caindo ele próprio em aporia, faz, também, caírem os outros. Porém, após afirmar saber o que é virtude, ele se expõe a procurar, junto com Menon, o que seria a virtude.
Sócrates tenta uma saída de aporia sugerindo que o aprendizado seria como uma rememoração, e que o conhecimento seria como um reconhecimento. Sócrates dialogo com um escravo de Mênon, a quem fez reencontrar os fundamentos da geometria, que ninguém ainda havia ensinado. Prossegue suas perguntas, retornando a argumentação para a reminiscência, concluindo com suas exposições que estas são as opiniões verdadeiras. Analisa as condições hipotéticas para que a virtude possa ser ensinada. Dialoga com Anito, e para este a virtude é ensinada por todos os cidadãos virtuosos. Concluindo diz que a virtude é um dão de Deus. O problema que persiste é o de saber de onde vem a virtude. Para Sócrates, apenas uma forma de conhecimento pode dirigir proveitosamente a conduta do homem. A opinião verdadeira.
EDUCAÇÃO EMANCIPADORA

A educação emancipadora é um processo de aprendizagem, onde o professor atua como o orientador, Nesta metodologia o professor não é o dono do saber que transmite seus conhecimentos e comanda o processo de aprendizagem mas aquele conduz os alunos a buscar o conhecimento.

Podemos observar que nas propostas educativas de Jacotot, promulgada por Raniceri no seu livro: O MESTRE IGNORANTE: cinco lições sobre emancipação social, e as de Paulo Freire.

Jacotot em 1818 é convidado a ensinar língua francesa a alunos holandeses que ignoravam o francês assim como ele ignorava o holandês, usou como estratégia uma revista bilíngüe Télémaque, e foi surpreendido pelo sucesso dos alunos na execução das atividades, ele não acreditava que os alunos conseguiriam fazer as atividades. Tal descoberta revolucionou suas concepções, pois percebeu que não há necessidade das explicações para haver aprendizagem. Ao contrário, a palavra do mestre emudece a matéria dada, pois condiciona o aprendiz à explicação.

Para Jacotot, quando o mestre transmite seus conhecimentos adaptando as capacidades intelectuais dos alunos e verificando se o aluno entendeu, (princípio da explicação) o que acontece é o embrutecimento, ou seja, uma inteligência foi subordinada a outra inteligência. Houve ensino, mas sem emancipação. Ele propõe o método emancipador, de acordo com Jacotot pode-se ensinar qualquer coisa mesmo sendo ignorante no assunto, mas é preciso emancipar o aluno, ou seja, forçá-lo a usar sua própria inteligência.

A emancipação é a formação para a autonomia, mas ela só pode ser bem sucedida se for um processo coletivo, já que na nossa sociedade a mudança individual não provoca necessariamente a mudança social, mas esta é precondição daquela. A educação deve contribuir, portanto, para o processo de formação e emancipação, contribuindo para criar condições em que os indivíduos, socialmente, conquistem a autonomia.

Segundo Paulo Freire, para que aconteça uma educação emancipadora precisa refletir sobre a própria prática onde a educação precisa centrar-se na vida e introduzir histórias de vida na escola e introduzir vida na educação.

Podemos observar que a educação em EAD apresenta uma educação emancipadora, pois ela é direcionada e pesquisada por vários pensadores, onde podemos criar o conhecimento através de pesquisas, pensamentos, debates e reflexões. Podemos perceber que a EAD tem a possibilidade de contribuir para uma nova postura do educador, que supere o modelo tradicional que existe na educação, pois a distância entre professor e aluno permitirá abrir mão da função do mestre explicador e transmissor de conhecimento, onde o livro, e a tecnologia contribuirá para o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos e isso exigira do aluno uma postura ativa, autônoma e responsável no seu processo de aprendizagem.

Os sofistas e a metodologia EAD

Os Sofistas




Os sofistas faziam parte de uma classe de mestres gregos que surgiu entre os séculos VI e V a.C. Eram conhecidos como pessoas que detinham conhecimento e dedicavam a instruir e a educar cidadãos, por esse motivo eram considerados no período como os mestres do saber, pessoas capazes de elaborar discursos com grande poder de persuasão. A metodologia sofística baseava na opinião, no jogo de linguagem, na adesão, na presença do orador e do espectador.

Existem alguns sofistas que mais se destacaram Górgias, Protágoras, Pródico e Hípias. Eles trabalhavam sempre com grandes grupos de ouvintes, em assembléias e conferências faziam muitas viagens, pois não permaneciam em um único local por muito tempo.

O conhecimento era repassado através de explicações do mestre, que não se preocupavam com a aprendizagem sendo transmitido para todos ao mesmo tempo e da mesma forma atingindo grandes assembléias querendo que aderissem àquela idéia, sem que pudessem entrar em um consenso.

Podemos observar que a preocupação dos sofistas não era o homem em si, mas sua projeção na sociedade. Eles formularam o princípio do ensinamento como forma de convencer outras pessoas. Utilizavam argumentos para enfraquecer os argumentos verdadeiros em favor do falso ao qual davam uma aparência do verdadeiro. Eles eram considerados falsos sábios, ilusionistas do saber e interesseiros, porque cobravam altas taxas por seus serviços, para transmitir seus conhecimentos.

Comparando a postura dos sofistas com a metodologia em EAD, podemos observar que não existem semelhanças entre elas, pois na EAD não temos um professor para nos ensinar, transmitir informações e conhecimentos como acreditavam os sofistas, pois o professor esta ali apenas para orientar o nosso aprendizado. A aprendizagem é realizada com pequenos grupos onde todos participam da construção do conhecimento. Analisando as propostas metodológicas percebemos que na metodologia sofista o aluno é passivo enquanto na EAD sua postura é ativa, buscando se desenvolvimento por meio de diversos recursos orientado pelo tutor.