Acompanhamos como Sócrates vai a busca do saber verdadeiro. Como ele aborda a relação entre o saber e verdade procurando sair da função dominadora do mestre. Na interpretação do psicanalista Jacques Lacan diz que ainda é possível perceber as intervenções do mestre. Sócrates confia na solução dos problemas do homem através do conhecimento racional. Lacan, por outro lado, tem outro pressuposto, de origem inconsciente. Lacan utiliza o imaginário e o simbólico, apreendendo-o em partes, através da linguagem que se estrutura no inconsciente. Assim, Sócrates e Lacan, com suas descobertas, auxiliaram os homens na busca do saber e da verdade.
O psicanalista Jacques Lacan produz o seu saber sobre o tema e apresenta uma crítica a Sócrates. Falando da reminiscência com a relação a ela dita, diz que é o despertar no sujeito que explica a passagem da ignorância ao conhecimento. O comentário de Lacan sobre o episódio do escravo refere-se ao engano que este comete, quando tenta achar a verdade sobre a duplicação da superfície de um quadrado.
Para Lacan, a partir do momento em que se parte do mundo simbólico emerge, cria o seu próprio passado, mas não no mesmo nível intuitivo.
Lacan coloca a origem de toda a realidade do pensamento no inconsciente, que vai se manifestar, num certo momento, junto às formas de proceder do sujeito. Lacan, retornando a Freud, restaura a barra divisória entre o saber e a verdade. Ele atribui à verdade o estatuto de um acontecimento atrelado ao campo da linguagem e anuncia que a verdade é contrária à astúcia da razão. Devemos entender o motivo que leva Jacques Lacan a considerar Sócrates um mestre que oferece elementos de raciocínio ao escravo, que não teria condições de chegar, sozinho, ao desenvolvimento esperado.
Na escola Lacaniana, o cartel constituído de pequeno grupo de pesquisa é fundamental no desejo de cada um dos participantes. Em meio aos movimentos de 1964, Jacques Lacan escreve o Ato de fundação de sua Escola de Psicanálise, expondo os seus princípios. Lacan deixa claro que o princípio adotado para a execução do trabalho da Escola é o de “uma elaboração sustentada num pequeno grupo”, dando, em seguida, as coordenadas deste pequeno grupo, o cartel.
O Cartel, sendo o dispositivo próprio para o trabalho de base da Escola, tem como objetivo principal manter viva a causa analítica através da execução de um trabalho que deve ter o seu produto, um “produto próprio de cada um”.
Seguindo o modelo lacaniano, o trabalho será executado em pequenos grupos, cada um deles composto de 3 pessoas, pelo menos, cinco ao máximo, e sendo quatro a medida certa, Mais UMA. O cartel consiste num pequeno grupo de pessoas que se reúne em torno de um tema e apresenta características próprias, entre elas a maneira de organização circular de trabalho. Neste sentido contraria a tradição escolar, na qual prevalece, como aponta Jacques-Alain Miller, que se apóia na identificação imaginária do líder. Dessa forma, haveria nesse tipo de curso, uma hierarquia em que o serviço prestado seria capitalizado para o acesso a um grau superior.
O produto do Cartel é fruto de um trabalho que tem responsabilidade de suportar e restaurar “a lâmina cortante da verdade do campo aberto por Freud”, sustentado pela transferência de trabalho.
O orientador é mais um entre os aprendizes. Essa é uma posição que todo professor deveria buscar, principalmente o tutor, em Educação Aberta e a Distância, para não perder o seu próprio lugar, nem sua referência. A produção do trabalho de orientação acadêmica é a produção de cada um dos aprendizes. A essência do processo de aprendizagem em EAD se dá por meio de rede de aprendizagem. No momento em que o professor está produzindo o material ele está sendo o orientador. A produção em EAD não tem dono, não é de ninguém, pertence a todo o conjunto.
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